Fonte: Click Petróleo e Gás

casa popular entrou de vez no radar da construção industrializada com a aposta da Tecverde no wood frame, sistema que ganhou escala no Paraná e passou a ser apresentado como alternativa para reduzir prazo sem romper a lógica de custo da alvenaria. A promessa aparece de forma direta: uma casa popular em 63 horas, com montagem citada em 1,5 hora em etapas industriais.

Esse movimento chama atenção porque não se apoia apenas em velocidade. O modelo tenta reorganizar a obra como processo fabril, deslocando 75% das etapas para dentro da indústria, com controle de qualidade, padronização e menor geração de resíduos. Em vez de depender de quase tudo no canteiro, a proposta é fazer a construção chegar mais pronta ao terreno e reduzir o tempo gasto na montagem final.

Casa popular em wood frame ganha força com a Tecverde no Paraná, acelera a construção, mantém custo próximo da alvenaria e coloca a obra industrializada no centro do debate habitacional.

Tecverde surgiu em 2009 com a ideia de aplicar à construção uma lógica parecida com a da indústria automotiva.

O primeiro desafio foi encontrar uma tecnologia que reduzisse prazo e resíduos sem comprometer desempenho.

A solução veio da Alemanha, por meio do sistema wood frame, depois adaptado ao mercado brasileiro com paredes mais robustas para atender melhor ao perfil local.

Esse processo não aconteceu isoladamente. A operação teve apoio da Fiep e do SENAI-PR, além de um convênio com o Ministério da Economia de Baden-Württemberg para transferência de tecnologia.

Em 2010, a primeira fábrica foi inaugurada em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, no Paraná, com recursos de investidores, aporte da Finep e subsídio alemão.

A partir dali, a casa popular deixou de ser pensada apenas como obra tradicional e passou a ser tratada como produto industrializável.

Casa popular em wood frame ganha força com a Tecverde no Paraná, acelera a construção, mantém custo próximo da alvenaria e coloca a obra industrializada no centro do debate habitacional.

A ideia de uma casa popular em 63 horas chama atenção porque ataca o ponto mais sensível da obra de interesse social: o prazo.

Caio Bonatto afirma que uma casa pode ser montada em 1,5 hora e que um prédio de quatro pavimentos pode ser erguido em 10 dias. Em 2018, a empresa ainda recebeu prêmio por construir uma residência em 10 horas, com acabamentos, pronta para morar.

Os números não falam exatamente da mesma etapa, mas todos apontam na mesma direção: encurtar drasticamente o tempo da construção.

Esse ganho de velocidade só é possível porque 75% do processo fica em ambiente fabril. A incorporadora ou construtora recebe da Tecverde a estrutura da residência já montada, com paredes, tubulações internas e estrutura de telhado. Isso reduz improviso, encurta etapas no canteiro e torna a construção mais previsível. Para uma casa popular, essa previsibilidade pesa muito, porque atraso de obra costuma ampliar custo, travar entrega e pressionar financiamento.

O que o wood frame entrega além da velocidade

wood frame usado pela Tecverde combina  madeira estrutural de florestas plantadas com dupla secagem e tratamento com preservante químico. 

Madeira e plásticos

Sobre os perfis estruturais são aplicados OSB e membrana hidrófuga, enquanto o acabamento usa placas cimentícias na parte externa e gesso cartonado no interior.

O resultado buscado é unir durabilidade equivalente à de sistemas convencionais com melhor conforto térmico e acústico.

A proposta não é ser apenas rápida, mas manter padrão técnico comparável ao da alvenaria.

Há ainda um componente de rastreabilidade que reforça o discurso industrial. Por meio de QR Code no frame, é possível visualizar estruturas hidráulica e elétrica internas da parede e até identificar a origem dos materiais usados. Isso permite recall quando necessário e amplia o controle sobre o processo.

Em uma construção convencional, esse tipo de rastreamento é muito mais difícil. No caso da casa popular, o ganho está em transformar um produto historicamente marcado por improviso em algo mais controlado.

Como custo, resíduos e água entram na conta da construção

O custo para o proprietário fica similar ao da alvenaria financiada por programas sociais do governo. Isso é decisivo, porque a velocidade sozinha não resolveria nada se a casa popular saísse muito mais cara. 

Abastecimento e tratamento de águas

O que coloca o sistema no radar é justamente a combinação entre prazo curto e custo competitivo, algo que a Tecverde tentou sustentar ao longo do crescimento da operação.

Na dimensão ambiental, os números informados também são fortes. O processo reduz em 85% a geração de resíduos e em 90% o uso de recursos hídricos.

Estudos da empresa apontam que 13 mil toneladas de CO2 deixaram de ser emitidas e 22,1 mil toneladas de resíduos deixaram de ser produzidos, em um total já acumulado de 130 mil metros quadrados construídos.

Na prática, o  wood frame aparece não apenas como atalho de prazo, mas como reorganização completa da construção em escala industrial.

Onde o Paraná entra na expansão e por que o financiamento foi decisivo

Paraná foi o ponto de partida dessa estrutura. Um ano depois da fundação, 34 empresas já estavam mobilizadas para fornecer matéria-prima e equipamentos, formando uma cadeia produtiva robusta no estado.

A capacidade de produção saltou de 34 casas em 2010 para 3,4 mil unidades por ano em 2018, com perspectiva de chegar a 4,2 mil após ampliação da fábrica.

Esse salto mostra que a casa popular em wood frame deixou de ser demonstração isolada e passou a operar em escala muito mais ambiciosa.

Outro ponto central foi o financiamento imobiliário. Em 2011, a regulamentação passou a permitir que bancos financiassem casas feitas com estrutura em wood frame.

Dois anos depois, o Ministério das Cidades autorizou a tecnologia da Tecverde para habitações de interesse social.

Sem essa homologação, a casa popular dificilmente teria espaço real no mercado. Velocidade industrial sem aceitação regulatória não vira política habitacional nem produto financiável.

A força dessa proposta está na combinação entre fábrica, padronização e escala. A casa popular em wood frame ganhou visibilidade porque a Tecverde conseguiu empurrar a construção para uma lógica mais industrial, com promessa de montagem muito rápida, custo próximo da alvenaria e redução importante de resíduos e consumo de  água.

No Paraná, esse modelo saiu do estágio experimental e passou a operar com cadeia produtiva, financiamento e homologação.

Ainda assim, o ponto mais relevante talvez seja outro: o sistema só chama tanta atenção porque toca numa ferida antiga da construção brasileira, marcada por obra lenta, desperdício e baixa previsibilidade.

Quando aparece uma casa popular em 63 horas, o impacto não está apenas no número, mas no contraste com o padrão histórico do setor.

Você acha que o wood frame tem chance real de ganhar espaço na casa popular brasileira ou a alvenaria ainda deve continuar dominando mesmo com esse avanço industrial?

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