Torre híbrida de madeira Atlassian Central, com 180 metros.

Em Sydney, a torre Atlassian Central alcançou 180 metros em julho de 2026, antes de receber seus ocupantes. O prédio de 39 andares combina madeira engenheirada, aço e concreto em módulos de trabalho, tornando-se o mais alto do mundo na categoria híbrida de madeira, ainda com etapas de acabamento pela frente.

Por que a torre de Sydney é considerada híbrida de madeira?

O Atlassian Central, próximo à Central Station, usa madeira estrutural industrializada sem dispensar outros materiais. O núcleo de concreto e a armação externa de aço ajudam a estabilizar o edifício, enquanto elementos de madeira aparecem em pisos, vigas e espaços de trabalho. É essa combinação de funções que define seu sistema estrutural híbrido.

O recorde anunciado em julho de 2026 se refere à categoria de edifício híbrido de madeira, não a uma torre totalmente feita desse material. A construção chegou a aproximadamente 180 metros e 39 andares, ultrapassando em altura a referência anterior, o prédio Ascent, de 25 pavimentos, em Milwaukee, nos Estados Unidos.

Torre híbrida de madeira Atlassian Central, com 180 metros.

Madeira engenheirada, aço e concreto dividem funções

O sistema híbrido de engenharia não substitui todo o aço e concreto por madeira. Ele distribui as funções entre núcleo, estrutura externa e peças industrializadas, cuja montagem depende de ligações compatíveis entre materiais com comportamentos diferentes.

Suas ligações precisam ser compatíveis com as estruturas de aço e concreto, incluindo movimentações e exigências de proteção contra incêndios. A coordenação entre materiais permite usar peças industrializadas e manter a resistência global necessária a uma torre dessa altura.

O conjunto divide a sustentação entre materiais e peças com funções próprias:

Concreto
Núcleo confere rigidez e estabilidade.

Aço
Armação externa distribui esforços.

Painéis de madeira
Peças industrializadas compõem os pisos.

Vigas laminadas
Componentes de madeira ajudam na sustentação.

Como os pavimentos maiores sustentam os habitats?

O projeto combina grandes níveis estruturais, chamados megafloors, com conjuntos de ambientes de madeira conhecidos como habitats. Esses espaços agrupam quatro andares de trabalho, aproveitando iluminação e ventilação. As peças de madeira são produzidas com precisão e posteriormente reunidas em módulos dentro de uma armação maior. A organização interna reúne quatro elementos:

  • Megafloors: grandes níveis organizam os módulos.
  • Habitats: conjuntos de quatro pavimentos de trabalho.
  • Fachada: vidro envolve os espaços internos.
  • Áreas verdes: vegetação integra os ambientes.

A arquitetura da BVN e da SHoP Architects organiza a madeira em ambientes protegidos por grande parte da fachada envidraçada.

Torre híbrida de madeira Atlassian Central, com 180 metros.

Os objetivos ambientais dependem de metas mensuráveis

Os responsáveis pelo Atlassian Central estabeleceram metas ambientais diferentes para construção e operação. Uma delas compara o carbono incorporado aos materiais de uma torre convencional; outra considera a energia durante o uso. São referências específicas, e não medições universais.

Uma laje que incorpora chapas de aço também exemplifica como diferentes materiais podem compartilhar funções numa obra. Já a construção de um grande centro de dados demanda soluções estruturais próprias. O exemplo de Sydney mostra uma alternativa específica: aplicar madeira em parte da estrutura de uma torre, sem dispensar aço e concreto.

As metas ambientais apresentam bases comparativas e objetivos declarados:

MetaReferênciaObjetivoNatureza
Carbono inicialTorre convencionalRedução de 50%Meta declarada
Eficiência energéticaEdifício-baseMelhora de 50%Meta declarada

O recorde significa que os escritórios já foram abertos?

Não. O marco de 22 de julho de 2026 foi a conclusão da altura estrutural, conhecida na construção como topping out. A cerimônia não inaugurou a ocupação dos escritórios. Instalação da fachada, sistemas prediais e acabamentos seguiram depois, com conclusão prática projetada pelos responsáveis para o fim de 2026.

A desenvolvedora Dexus apresenta essa etapa como o fechamento da construção em altura, e não a entrega final de todas as instalações. Elevadores, segurança, redes elétricas e interiores precisam estar prontos antes da ocupação. O recorde pertence à estrutura, independentemente do calendário de mudança das equipes.

A madeira ganhou espaço sem substituir o restante da engenharia

A torre híbrida de 39 andares representa uma combinação de materiais e métodos construtivos, não uma troca integral do concreto pela madeira. A precisão de fabricação das peças, a organização dos habitats e as ligações estruturais são parte do desafio de construir em grande altura junto a uma estação movimentada.

Ao atingir a marca de 180 metros, o edifício estabeleceu um recorde em sua categoria antes de receber ocupantes. A conclusão dos sistemas e dos espaços internos é outra etapa, necessária para transformar a estrutura concluída num prédio efetivamente utilizado, com conforto e segurança previstos no projeto.