Num lote estreito da Vila Nova Conceição, em São Paulo, SP, uma residência de cerca de 360 m² transformou a madeira em estrutura, linguagem e experiência sensorial. Projetado do zero pela arquiteta Kika Camasmie (@arq_kikacamasmie) para um casal e seus dois filhos, o imóvel nasceu do desejo de construir de maneira contemporânea, eficiente e com menor impacto ambiental — sem abdicar do conforto e da convivência familiar.

A ideia inicial dos moradores era erguer a casa em steel frame, mas o projeto tomou outro rumo quando foram apresentadas as possibilidades da madeira engenheirada.

“A paixão foi instantânea. Ficamos maravilhados com a forma como a casa poderia se apresentar, com o cheiro da madeira e com a eficiência do sistema construtivo”, conta o proprietário Paulo Giacomuzzi, comandante de aeronaves.

Na fachada, a volumetria inclinada, inspirada nas habitações nórdicas, evidencia a lógica construtiva. Pilares e vigas de madeira laminada colada (MLC) se combinam a paredes de wood frame, lajes de madeira laminada pregada (NLT) e componentes industrializados montados a seco. A solução respondeu também às limitações do terreno, reduzindo operações no canteiro de obra.

“A madeira deixou de ser apenas um acabamento e passou a constituir o próprio sistema construtivo da residência”, ressalta Kika. Externamente, o tom verde-escuro aproxima a casa da vegetação do entorno — e do paisagismo do Estúdio Manacá (@estudiomanaca) — e ainda contrasta com a madeira aparente.

ENTRADA | A cobertura em madeira engenheirada da Rewood acompanha o percurso lateral, emoldurado pelo paisagismo do Estúdio Manacá, com guaimbês, palmeiras de sombra e forrações. Piso da Superfici Revestimentos — Foto: Ruy Teixeira/Divulgação
ENTRADA | A cobertura em madeira engenheirada da Rewood acompanha o percurso lateral, emoldurado pelo paisagismo do Estúdio Manacá, com guaimbês, palmeiras de sombra e forrações. Piso da Superfici Revestimentos — Foto: Ruy Teixeira/Divulgação

A entrada antecipa essa materialidade e conduz ao térreo, onde sala de estar, jantar, cozinha e área de serviço formam uma sequência integrada.

Os interiores receberam tons claros e neutros para ampliar a luminosidade e destacar a estrutura. “Queríamos que a tectônica da casa estivesse visível, mas que os ambientes fossem leves e acolhedores”, diz a arquiteta.

SALA DE ESTAR | O pé-direito duplo evidencia a estrutura que combina pilares e vigas de madeira laminada colada (MLC) e paredes de wood frame. Piso da Parket. Tapete da by Kamy. Mesa, banco lateral e objetos, da dpot — Foto: Ruy Teixeira/Divulgação
SALA DE ESTAR | O pé-direito duplo evidencia a estrutura que combina pilares e vigas de madeira laminada colada (MLC) e paredes de wood frame. Piso da Parket. Tapete da by Kamy. Mesa, banco lateral e objetos, da dpot — Foto: Ruy Teixeira/Divulgação

No living, o pé-direito duplo amplia a percepção espacial. A presença constante da madeira aproxima visualmente os pavimentos e traça uma atmosfera aconchegante.

Para Paulo, esse contato vai além da aparência: “Em qualquer ângulo, você consegue interagir com o visual, com o toque das superfícies e com o cheiro da madeira”.

SALA DE JANTAR | A estrutura aparente de madeira da Rewood continua na escada, ao lado da mesa de linhas leves e as cadeiras da Ovo. Piso da Parket. Objetos da dpot. Iluminação da Reka — Foto: Ruy Teixeira/Divulgação
SALA DE JANTAR | A estrutura aparente de madeira da Rewood continua na escada, ao lado da mesa de linhas leves e as cadeiras da Ovo. Piso da Parket. Objetos da dpot. Iluminação da Reka — Foto: Ruy Teixeira/Divulgação

A sala de estar foi concebida para favorecer encontros da família, enquanto a de jantar mantém conexão direta com os demais espaços. A integração continua na área gourmet, onde a organização aberta facilita o convívio e prolonga o living em direção ao exterior.

ÁREA GOURMET | A estrutura de madeira da Rewood cobre o espaço de refeições ao ar livre, onde estão mesa e cadeiras do tipo diretor da L’oeil. Piso da Superfici Revestimentos — Foto: Ruy Teixeira/Divulgação
ÁREA GOURMET | A estrutura de madeira da Rewood cobre o espaço de refeições ao ar livre, onde estão mesa e cadeiras do tipo diretor da L’oeil. Piso da Superfici Revestimentos — Foto: Ruy Teixeira/Divulgação

Na área de lazer, a piscina se articula a um anexo independente que abriga vestiário e sala de música. O ambiente nasceu de um hábito afetivo da família: instrumentos colecionados ao longo dos anos ganharam um cômodo próprio para que Paulo e os filhos possam tocar juntos.

PISCINA | Nesta área, a piscina se integra a um anexo independente com estrutura de madeira da Rewood, que abriga vestiário e sala de música. Piso da Superfici Revestimentos. Paisagismo do Estúdio Manacá, com volume de plantas tropicais — Foto: Ruy Teixeira/Divulgação
PISCINA | Nesta área, a piscina se integra a um anexo independente com estrutura de madeira da Rewood, que abriga vestiário e sala de música. Piso da Superfici Revestimentos. Paisagismo do Estúdio Manacá, com volume de plantas tropicais — Foto: Ruy Teixeira/Divulgação

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MEZANINO | A passarela do mezanino externo prolonga a circulação entre os volumes da casa e permite novas perspectivas da estrutura de madeira e da vegetação ao redor, com paisagismo do Estúdio Manacá — Foto: Ruy Teixeira/Divulgação
MEZANINO | A passarela do mezanino externo prolonga a circulação entre os volumes da casa e permite novas perspectivas da estrutura de madeira e da vegetação ao redor, com paisagismo do Estúdio Manacá — Foto: Ruy Teixeira/Divulgação

A circulação vertical leva ainda a um mezanino externo, conectado por uma passarela, que “costura” a relação entre os níveis e cria novas perspectivas da arquitetura e do jardim.

No terceiro andar do imóvel, academia, estúdio e outros espaços de convivência se abrem para as copas das árvores do entorno paulistano, próximo ao Parque Ibirapuera.

QUARTO CASAL | A paleta clara domina o ambiente, aquecido pela madeira presente na estrutura e no piso da Parket. Mesa de canto e objetos da dpot. Ao fundo, a sala de banho com banheira fica à mostra através da parede de vidro — Foto: Ruy Teixeira/Divulgação
QUARTO CASAL | A paleta clara domina o ambiente, aquecido pela madeira presente na estrutura e no piso da Parket. Mesa de canto e objetos da dpot. Ao fundo, a sala de banho com banheira fica à mostra através da parede de vidro — Foto: Ruy Teixeira/Divulgação

No segundo pavimento ficam as três suítes e o home office privativo do casal. No quarto principal, o projeto preserva a linguagem serena dos interiores e incorpora peças afetivas trazidas da residência anterior.

A sala de banho amplia o caráter de refúgio, já que a banheira pode ser vista do dormitório através de uma parede de vidro. O cômodo mantém a paleta clara e a presença da madeira, equilibrando privacidade e continuidade visual.

BANHEIRO | A bancada com cuba dupla e o armário de madeira harmonizam-se com as superfícies claras e o piso da Stone Marmi. Louças e metais da Kohler. Iluminação da Reka — Foto: Ruy Teixeira/Divulgação
BANHEIRO | A bancada com cuba dupla e o armário de madeira harmonizam-se com as superfícies claras e o piso da Stone Marmi. Louças e metais da Kohler. Iluminação da Reka — Foto: Ruy Teixeira/Divulgação

Mais do que ampliar a metragem, o projeto procurou traduzir um modo de morar baseado em convivência, proximidade com a natureza e redução da pegada de carbono da edificação.

Para Paulo, a mudança acompanhou um momento específico da vida familiar. “Olhei para os meus filhos crescendo e percebi que precisava de uma casa maior, que acompanhasse esse processo.”