A construção civil está entre os setores mais intensivos em carbono, e o cimento tem papel importante nesse impacto. A produção do material, principal insumo do concreto, responde por cerca de 7% das emissões globais de gases de efeito estufa. É nesse contexto que um empreendimento em Maringá, no Paraná, aposta na madeira engenheirada como alternativa de menor impacto ambiental.
O Office Cidade Aruna, desenvolvido pela incorporadora PRC, é apresentado como o primeiro edifício corporativo do Brasil a utilizar madeira engenheirada dentro de um projeto de “ecossistema urbano”. A iniciativa foi apresentada na COP30 como um case de inovação e sustentabilidade na construção civil.
Apesar de ser chamado pela empresa de “concreto do futuro”, a madeira não será o material predominante na construção. Ela estará presente em aproximadamente 13% da área construída, dentro de um sistema misto que combina soluções convencionais e a nova tecnologia.
Madeira engenheirada ganha espaço na construção
A escolha do material está relacionada à busca por alternativas capazes de reduzir o impacto ambiental das construções. A madeira engenheirada é produzida a partir de florestas manejadas de forma responsável e pode armazenar carbono ao longo do ciclo de vida das edificações.
Segundo o Urbem, Instituto de Urbanismo e Estudos para Metrópole, o material apresenta um sequestro de carbono 4,6 vezes superior às emissões geradas em sua própria fabricação. A tecnologia também pode contribuir para reduzir em até 14,5% as emissões de gases de efeito estufa da construção civil, de acordo com os dados apresentados pela empresa. Além da questão das emissões, a madeira engenheirada está associada a um menor consumo energético durante sua produção e a um melhor desempenho térmico dos edifícios. Com isso, a expectativa é reduzir a necessidade de climatização artificial durante a operação das construções.
Edifício terá 25 pavimentos e mais de 23 mil m²
O Office Cidade Aruna faz parte de um projeto urbano maior, chamado Cidade Aruna, que reúne moradia, trabalho, serviços e áreas verdes em um mesmo território. A proposta busca reduzir deslocamentos e criar um modelo urbano mais integrado.
O edifício terá 25 pavimentos e mais de 23 mil metros quadrados de área construída, com aproximadamente 120 unidades comerciais distribuídas em seis tipos de plantas. O empreendimento também contará com coworking, salas moduláveis, restaurante, rooftop e áreas de convivência. Dentro dessa estrutura, a madeira engenheirada será utilizada em elementos como pilares, vigas e lajes. Nos cinco últimos pavimentos, o material também estará presente nas lajes e nos forros, enquanto o rooftop terá maior protagonismo da madeira e será projetado como um espaço de permanência. A utilização do material, portanto, está concentrada em pontos específicos da construção. A proposta não é substituir integralmente os métodos tradicionais, mas combinar diferentes soluções para reduzir o impacto da obra.
Projeto busca integrar sustentabilidade e bem-estar
A estratégia adotada pela PRC está relacionada a uma visão mais ampla sobre o papel dos empreendimentos urbanos. Em vez de considerar apenas a estrutura do edifício, o projeto procura integrar espaços de trabalho, serviços, moradia e áreas verdes.
Essa integração também influencia a proposta ambiental do empreendimento. Ao reunir diferentes atividades no mesmo território, o projeto tem como objetivo declarado reduzir deslocamentos e criar uma dinâmica urbana mais integrada.
Para o CEO da PRC Empreendimentos, Raphael Ferreira, a iniciativa representa uma mudança no setor da construção civil, que busca conciliar bem-estar e inovação com um impacto ambiental cada vez menor.
Madeira será parte da estrutura do empreendimento
No edifício, a madeira engenheirada terá diferentes aplicações. Além dos elementos estruturais, como pilares, vigas e lajes, o material será utilizado em detalhes de forro nas áreas de descompressão.
O maior destaque ficará para o rooftop, concebido como espaço de permanência e que também contará com um ativo gastronômico aberto à visitação. A utilização da madeira nesses ambientes reforça a proposta arquitetônica do projeto sem deixar de lado o sistema construtivo misto. Dessa forma, o empreendimento utiliza a tecnologia dentro de uma estratégia mais ampla de construção de baixo impacto. A iniciativa combina a adoção de madeira engenheirada com características de um projeto urbano pensado para integrar diferentes funções.
Construção civil busca alternativas de menor impacto
A experiência do Office Cidade Aruna acontece em um momento em que a construção civil busca alternativas para reduzir suas emissões. Como o cimento responde por uma parcela relevante das emissões globais, materiais e sistemas construtivos com menor impacto ambiental ganham espaço nas discussões sobre o futuro do setor. No caso do empreendimento de Maringá, a madeira engenheirada não substitui completamente os materiais tradicionais, mas passa a fazer parte da estrutura do edifício. A proposta é utilizar a tecnologia de maneira combinada, associando desempenho construtivo e uma menor pegada ambiental.
Assim, o projeto coloca em prática uma alternativa que vem sendo discutida no setor e transforma a escolha do material em parte da estratégia de sustentabilidade do empreendimento. Para a PRC, o desafio é mostrar como essa combinação pode ser aplicada a um edifício corporativo de grande porte sem abrir mão das demais características do projeto.