
A modernização da construção civil brasileira ganha força com a industrialização, uma alternativa que atende à necessidade de aumentar a produtividade, controlar custos e reduzir os prazos de entrega. Essa abordagem também ajuda a resolver problemas críticos, como a falta de trabalhadores qualificados e a urgência de tornar o setor mais sustentável. Esse foi o principal tema discutido na abertura da segunda edição do Modern Construction Show (MCS), que aconteceu nesta terça-feira (29) no Distrito Anhembi, em São Paulo.
O evento busca trazer a indústria, as empresas, os profissionais, os clientes e o poder público para uma mesma conversa, focada em novas maneiras de projetar, fabricar e construir no país. A ideia central é mostrar que não há um único caminho certo, mas sim a possibilidade de combinar diferentes técnicas para construir mais rápido, com mais qualidade e de forma sustentável.
- Foco em Produtividade: A industrialização permite planejar melhor, o que reduz desperdícios e evita atrasos comuns em obras tradicionais.
- Combate à Escassez de Mão de Obra: Com a falta de engenheiros e trabalhadores, a fábrica é vista como a solução para garantir o crescimento da construção.
- Tecnologia e Dados: Ferramentas como Inteligência Artificial (IA) e o modelo BIM são essenciais para integrar projetos e evitar conflitos antes da obra começar.
- Sustentabilidade: Sistemas como a madeira engenheirada ganham espaço por serem mais ecológicos e apresentarem grande potencial de expansão no Brasil.
- Hibridismo Construtivo: A combinação de sistemas metálicos, de concreto e outros materiais permite criar soluções específicas para cada tipo de empreendimento.
O debate sobre o futuro da construção industrializada
Fernando Ruas, CEO da organizadora do evento, a Francal, explicou que o desafio é reunir todos os sistemas construtivos para promover o que chamam de hibridismo. Temos uma grande oportunidade pela frente, porque precisamos construir rápido, com qualidade e sustentabilidade, e é isso que a construção industrializada proporciona nos seus diferentes sistemas, afirmou. O objetivo é educar o mercado para que essas tecnologias deixem de ser exceção e passem a ser a regra.
Marcos Monteiro, secretário municipal de Infraestrutura Urbana e Obras de São Paulo, ressaltou que a combinação de tecnologias é fundamental. Não existe o melhor processo construtivo. Cada um tem suas características próprias. O hibridismo permite combinar os melhores processos, os mais adequados a cada situação, disse ele. Monteiro também destacou a importância da Inteligência Artificial e da tecnologia BIM para criar projetos mais integrados e compatíveis, evitando retrabalho.
Gestão pública e agilidade nas obras
A visão do poder público também foi central no debate. Antonio Joaquim de Oliveira Neto, vice-prefeito de Taubaté, destacou que os sistemas industrializados permitem ao governo responder mais rapidamente às demandas da população. É preciso ter previsão de quanto vai custar, quanto tempo vai levar e como será feito esse planejamento, seja para uma escola, habitação ou hospital, esclareceu. Para ele, a previsibilidade é o ponto mais forte dessa nova forma de construir.
Renato Cordeiro, líder de portfólio de eventos B2B na Francal, reforçou que a industrialização é a prática da boa gestão. Na avaliação de Cordeiro, é uma forma de construir com inteligência, valorizando as pessoas, com velocidade, qualidade e precisão. Ou seja, não é apenas uma questão de máquina, mas de método e organização.
Produtividade e a resposta à falta de mão de obra
Íria Doniak, presidente executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic), representando a Fiesp e o Departamento da Indústria da Construção e Mineração, apontou que a produtividade deixou de ser apenas um assunto técnico. A produtividade passou a ocupar o centro das decisões empresariais. A industrialização é um dos principais caminhos para esse avanço, pontuou. Isso significa que os donos de empresa agora veem a industrialização como um fator de sobrevivência no mercado.
Cezar Valmor Mortari, vice-presidente da região Centro-Oeste da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), foi direto ao afirmar que a falta de profissionais é o principal motor dessa transformação. Para onde a construção vai está evidente: industrialização, pré-fabricação, mecanização e digitalização. A escassez de mão de obra e a falta de engenheiros convergem para a industrialização da construção. É o desaguadouro natural de qualquer país que cresce, disse. Com menos pessoas disponíveis para o trabalho braçal tradicional, a máquina e a fábrica assumem o papel central.
Sustentabilidade e integração entre diferentes materiais
A questão ambiental também esteve em pauta. Clóvis Nakai, presidente da Associação Brasileira da Construção Industrializada em Madeira Engenheirada (Abracime), destacou que, embora a madeira engenheirada ainda represente uma parte pequena do mercado brasileiro, ela tem um espaço significativo para crescer, especialmente por ser uma opção mais sustentável.
Na mesma linha, Horácio Alberto Steiman, presidente da Associação Brasileira da Construção Metálica (ABCEM), ressaltou que a industrialização depende de uma maior integração entre as diferentes partes da cadeia produtiva. O encontro que começa hoje traduz uma mudança na forma de pensar e executar obras no Brasil: projetar com mais integração, reduzir desperdícios e entregar com maior previsibilidade de prazo e qualidade, afirmou. Ele citou ainda a necessidade de avançar em formação profissional, normas e certificações.
João Carlos Leonardi, presidente do Conselho Estratégico da Abcic, encerrou as falas destacando o papel do evento como vitrine tecnológica. O cliente quer uma obra industrializada, e muitos projetos necessitam da mescla dos sistemas construtivos. Cada sistema pode agregar valores e características diferentes à obra, e é dessa combinação que vem o resultado, finalizou. O Modern Construction Show segue até quinta-feira (1º de outubro), com apresentações sobre produtividade, pré-fabricação, BIM, IA e sustentabilidade.